CRÔNICAS


Meu esporte NÃO É torcer pelo Brasil!

O treinador da seleção brasileira “Dunga”, durante entrevista coletiva realizada ontem, dia 11 de maio de 2010 no Rio de Janeiro, encenou uma das mais trágicas peças dos últimos anos. Durante a peleja o técnico se dirigia ao povo brasileiro dizendo: estou falando com você torcedor! Que ama a pátria! Mas que pátria? Quem são esses guerreiros que se dizem capazes de lutar por nossa honra? Que guerra é essa que iremos travar além mar? Será que ainda temos brasileiros convictos de que ainda somos a pátria de chuteiras, apregoada em momentos da nossa história que merecemos esquecer!
Dizer que quem não esteve no Brasil em tempos de ditadura não pode opinar e nem dar um parecer a respeito me faz pensar no seguinte: Sou torcedor da seleção brasileira desde 90, quando daquela trágica eliminação contra a Argentina, mas gostaria de dizer que adoro ver os jogos “gravados” da seleção de 1970, 1982 e 1986. Será que não posso mesmo dizer que o falcão era demais com sua elegância e refinamento no passe, que o Zico me maravilhava com sua maestria, e aidna que o Sócrates e seus toques quase que inimagináveis me fazia pensar que futebol se assemelhara a arte? Bem, não tenho dúvidas que posso e, por isso, não farei o menor esforço para não dizer!
O velho barbudo certa vez nos disse, parafraseando Hegel que “todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa!” Espero que a farsa anunciada pela coerência da volúpia impetuosa do nosso treinador não se torne uma tragédia anunciada! Alias a tragédia anunciada da renegação do lúdico, da arte, do brincar, do divertir-se através desse “jogo” transformado em espetáculo, já sucumbiu ao pragmatismo dos resultados do modelo capitalista de dominar nosso imaginário. Só não sei se essa convocação é uma farsa ou a anunciação de uma tragédia.
Sou torcedor da seleção brasileira, mas meu esporte não é torcer pelo Brasil! Meu esporte é acreditar que este jogo “um dia” pode reencenar tempos de arte, de criatividade, de imaginação, de sonho! Meu esporte é lutar incessantemente pelo significado histórico do esporte, do jogo, da arte e das manifestações da cultura corporal, ressaltando seu caráter de classe, onde os verdadeiros guerreiros são aqueles que constroem a história da nossa cultura diariamente nos terrenos de terra batida.


Jeimison Macieira   

Um comentário:

  1. Esse é um texto de 2010, o qual foi publicado no blog ESPORTEEMREDE. Espero que gostem!

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