sábado, 24 de março de 2012

TRACTATUS - Ludwig Wittgenstein - Análise do aforismo 6.53


Análise do aforismo 6.53

6.53 – O método correto em filosofia seria propriamente: nada a dizer a não ser o que pode ser dito, isto é, proposições das ciências naturais – algo, portanto, que nada tem a ver com a filosofia; e sempre que alguém quisesse dizer algo a respeito da metafísica, demonstrar-lhe que não conferiu denotação a certos signos de suas proposições. Para outrem esse método não seria satisfatório – ele não teria o sentimento de que lhe estaríamos ensinando filosofia – mas seria o único método estritamente correto.

Ludwig Wittgenstein
           
            
   Ludwig Wittgenstein (1889-1951) apresenta no seu Tractatus Lógico Filosófico um sentido radical no trato com a filosofia. Para ele o mundo e a linguagem possuem formas idênticas, pois a estrutura da linguagem é a estrutura do mundo. Wittgenstein buscava no Tractatus a estrutura por trás da linguagem e a encontra, a lógica. Para ele, as proposições expressam uma estrutura lógica que representa o mundo e o problema da filosofia estaria na não percepção da linguagem, portanto, os problemas da filosofia eram problemas de linguagem.
Iniciemos agora a análise do aforismo acima, delimitando e interpretando os conceitos utilizados por Wittgenstein para fundamentar sua síntese acerca do método correto em filosofia.
Nosso autor inicia seu Tractatus afirmando que “o mundo é tudo o que ocorre, o mundo é a totalidade dos fatos, não das coisas” (1 e 1.1). Ele abre sua obra rompendo com a metafísica e recolocando os problemas no mundo e não nas idéias ou conceitos, afirmando ainda que “a realidade inteira é o mundo” (2.063). Para Wittgenstein, “proposições se referem aos signos proposicionais em sua relação projetiva com o mundo, onde este signo proposicional é o signo pelo qual exprimimos o pensamento” (3.12). Portanto quando ele fala: “nada a dizer a não ser o que pode ser dito, isto é, proposições das ciências naturais” ele, em minha opinião, quer nos mostrar que aquilo que exprimimos pelo pensamento (proposições) devem ser relativas às ciências naturais, ou seja, o método correto em filosofia seria a discussão de questões retiradas das ciências da natureza. Nesse sentido, ele fundamenta seu argumento nos dados da realidade sensível presente nos fatos, advindos da observação dos objetos desse mesmo mundo.
Não obstante, Wittgenstein chama-nos atenção para: “e sempre que alguém quisesse dizer algo a respeito da metafísica, demonstrar-lhe que não conferiu denotação a certos signos de suas proposições”. Nessa passagem do aforismo, ele chama atenção para a necessidade de que os signos das proposições que elaboramos, devem necessariamente ter uma representação no mundo das coisas, ou seja, deve aludir-se a realidade palpável do objeto ao qual o mesmo faz referência.
No final do aforismo ele diz: “Para outrem esse método não seria satisfatório – ele não teria o sentimento de que lhe estaríamos ensinando filosofia – mas seria o único método estritamente correto”. Aqui ele referenda o que vem sustentando nas partes anteriores do aforismo; faz alusão aos filósofos metafísicos e reafirma que o único método correto possível deve emergir de questões das ciências naturais.

REFERÊNCIAS

WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractaus lógico-filosófico. São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo, 1961.


Jeimison Macieira
Disciplina: Teoria do conhecimento

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