domingo, 25 de março de 2012

Sobre a ética - apontamentos


WIKIPEDIA
Ética vem do grego ethos que significa modo de ser, caráter; através do latim mos ou mores, que significa costumes derivou a palavra moral.

DICIONÁRIO KOOGAN LAROUSSE
Ética significa a ciência da moral.

DICIONÁRIO AURÉLIO BUARQUE
É o estado de juízos de apreciação que se referem a conduta humana susceptível de qualificação de ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada.

DICIONÁRICO crítico DE EDUCAÇÃO FÍSICA, 2008.
Etimologicamente tanto ética quanto moral tem como referencia a questão dos costumes, pois o termo grego ethos e o termo latino mos significam o mesmo, costume. A distinção entre ética e moral, foi introduzida segundo Freitag (1992), por Platão e foi, posteriormente retomada por Kant e Hegel. Na concepção platônica, a moralidade ocupa-se das virtudes da alma, refletindo filosoficamente as condições subjetivas da ação correta. A moralidade toma como base a ação individual, estabelecendo como ele deve agir corretamente na busca do bem pessoal. Nesta mesma concepção ética trata das virtudes da polis, fixando as condições objetivas da ação da polis, do estado e da sociedade. A ética tem uma preocupação de estabelecer a forma de agir politicamente na busca do bem coletivo [...] A ética faz parte do ramo da filosofia que se ocupa do estudo da moralidade do agir humano. Ou, simplesmente, é a disciplina que considera os atos humanos enquanto são bons ou maus. 

GEORG LUCÁCKS (por Sergio Lessa)

A moral e a ética [...] surgem e se desenvolvem para atender as necessidades de explicitação consciente da contradição entre indivíduo e sociedade (LESSA, 2007, p. 22)

A ética no conjunto dos complexos valorativos, se diferencia porque atende à necessidade social de explicitação do conflito entre o universal e o singular pela superação da relação dicotômica entre o indivíduo e a sociedade. A ética é aquele complexo valorativo objetivado em relações sociais que desdobram, cotidianamente, uma relação antinômica entre o indivíduo e o gênero (p. 23)

Se a ética não é um conjunto abstrato de valores, mas um complexo valorativo que expressa relações sociais que superam a antinomia entre o indivíduo e a sociedade, não é difícil percebermos que a ética nem sempre é possível. (p. 23)

O individualismo burguês só pôde converter-se em princípios e preceitos teóricos porque fazia parte da vida material, das relações mais fundamentais da reprodução do mundo burguês.

Pensando nessa sentença sobre o individualismo burguês percebemos a presença de uma ética no capital, visto que, os complexos valorativos como a moral, o direito, a tradição, etc. são elementos constitutivos da vida material, da objetividade social, ou seja, parafraseando Lessa, fazem parte das relações fulcrais da reprodução do mundo capitalista burguês, por assim dizer. [grifos meus]

Esta determinação ontológica mais essencial da sociedade burguesa faz dela um solo social incompatível com o pleno desenvolvimento de relações sociais que superem a antinomia indivíduo/gênero. É esta a razão fundamental de a sociedade burguesa não produzir nenhum sistema ético digno de nome (p. 28). Enquanto houver capitalismo não haverá ética digna de moral [grifos meus]

Capitalismo e ética são ontologicamente incompatíveis. Não há ética possível em uma sociabilidade que tenha na mercadoria “sua forma elementar”, para adotarmos uma fórmula bastante precisa e sintética (p. 29)

Para Freire (1996) mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos sendo. Estar sendo é a condição, entre nós, para ser. Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela. Estar longe, ou pior, fora da ética, entre nós, mulheres e homens, é uma transgressão. 

Partindo de uma análise precoce da compreensão freiriana em sua, Pedagogia da autonomia, ética e moral se assemelham principalmente no que diz respeito à formação de mulheres e homens autônomos, críticos, reflexivos e partícipes de um processo de formação social complexo, tanto do ponto de vista individual quanto social. Portanto, para Freire ética faz referencia a uma série de complexos valorativos que alicerçam a vida do homem. [grifos meus]


REFERENCIAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Paz e terra, 1996.
FENSTERSEIFER, Paulo Evaldo. GONZÁLES, Fernando Jaime (Org.). Dicionário crítico de educação física. Ijuí, 2º ed. rev. Ed. Unijuí, 2008.
LESSA. Sérgio. Lucácks – ética e política: observações acerca dos fundamentos ontológicos da ética e da política. Chapecó. Argos, 2007.

Jeimison Macieira
Grupo de estudos sobre o método - 2008

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