sábado, 24 de março de 2012

KANT: Fundamentação da metafísica dos costumes.

Em que consiste a noção de boa vontade?

Trata-se de algo que se dá não por suas obras ou realizações, não por sua aptidão para alcançar um fim proposto, mas só pelo "querer "; em outras palavras, é boa em si e, considerada em si mesma, deve sem comparação ser apreciada em maior estima do que tudo quanto por meio dela poderia ser cumprido unicamente em favor de alguma inclinação ou ainda, em favor da soma de todas as inclinações. Mesmo quando, por singular adversidade do destino ou por avara dotação de uma natureza madrasta, essa vontade fosse completamente desprovida do poder de levar a bom termo seus propósitos; admitindo até que seus esforços mais tenazes permanecessem estéreis; na hipótese mesmo de que nada mais restasse do que a só boa vontade (entendendo por esta não um mero desejo, mas o apelo a todos os meios que estão ao nosso alcance), ela nem por isso deixaria de refulgir como pedra preciosa dotada de brilho próprio, como alguma coisa que em si possui valor. A utilidade ou inutilidade em nada logra aumentar ou diminuir esse valor. A utilidade seria, por assim dizer, apenas o engaste que faculta o manejo da joia no uso corrente, ou capaz de fazer convergir para si a atenção dos que não são suficientemente entendidos no assunto, mas que nunca poderia torná-la recomendável aos peritos nem determinar-lhe o valor.

O que significa a ideia segundo a qual a boa vontade é boa em si e não pelos fins que almeja alcançar?

Significa que a boa vontade é, em todas as ações, uma lei para si mesma, caracteriza apenas o princípio de não agir segundo nenhuma outra máxima que não seja aquela que possa ter-se a si mesma por objeto como lei universal. Em outras palavras, esta diz respeito à algo que tem a si próprio como fim, sendo esta: sem reservas, sem limitação, incondicionada, desinteressada, que não pode, desta maneira, torna-se má em nenhum momento, visto que também é invariável, não comportando, assim, a possibilidade de desviar-se no seu uso. Esta vontade não será na verdade o único bem nem o bem total, mas terá de ser contudo o bem supremo e a condição de tudo o mais, mesmo que isso possa estar ligado a muito dano causado aos fins da inclinação.

Qual o papel da razão na ética kantiana?

A razão é necessária para prover as ações da lei, sendo a vontade em linhas gerais, a razão prática. Se a razão determina infalivelmente a vontade, as ações de um tal ser, que são conhecidas como objetivamente necessárias, são também subjetivamente necessárias, isto é, a vontade é a faculdade de escolher só aquilo que a razão, independentemente da inclinação, reconhece como praticamente necessário, quer dizer como bom. A razão, neste caso, é a formuladora de um princípio objetivo enquanto obrigante para a vontade.

Quando podemos afirmar, segundo a filosofia moral kantiana, que um homem é livre?

Para Kant, todo homem que não pode agir senão sob a ideia de liberdade, é por isso mesmo, em sentido prático, verdadeiramente livre, quer dizer, para ele (homem) valem todas as leis que estão inseparavelmente ligadas à liberdade, exatamente como se sua vontade fosse definida como livre em si mesma e de modo válido na filosofia teórica.

O que Kant pensa da felicidade e qual a relação desta com a boa vontade?

Para o autor, todos os homens possuem dentro em si uma inclinação muito forte e muito profunda para a felicidade, pois que justamente nesta ideia de felicidade se unem todas as suas tendências. Simplesmente o preceito, que nos manda buscar a felicidade, apresenta muitas vezes caráter tal que prejudica algumas de nossas inclinações, de sorte que não é possível ao homem formar ideia nítida e bem definida do complexo de satisfação de seus desejos, a que dá o nome de felicidade. Não há pois motivo para ficar surpreendido de que uma só inclinação, determinada quanto ao prazer que promete e quanto à época em que poderá ser satisfeita, seja capaz de sobrepujar uma ideia vaga. E é justamente por ser vaga e variável (embora esta ideia de felicidade possa até dispor de máximas), que princípios de felicidade não servem como leis da vontade. Entretanto, boa vontade parece condição indispensável para sermos dignos da felicidade.

Por que um ato de compaixão deve estar baseado numa lei, não numa inclinação?

Embora compaixão seja uma coisa boa e desejável, pode tornar-se extremamente má e prejudicial, se a vontade não for boa, ou seja, se não se basear numa lei. Por exemplo: se um dado sujeito dispõe de compaixão para com alguém, e que esta compaixão esta para além da compaixão em si, em função de um inclinação nele contida, ou em outras palavras, utilizando a compaixão apenas como meio para atingir algo e não como fim, faz desta uma atitude maléfica para o seu uso universal.

Em que consiste o conflito entre liberdade e necessidade?

Liberdade é a propriedade da vontade que é uma espécie de causalidade dos seres vivos enquanto racionais, enquanto que necessidade é a propriedade da causalidade de todos os seres irracionais de serem determinados à atividade pela influência de causas estranhas. O conflito se dá entre uma causalidade segundo leis imutáveis e leis mutáveis, portanto, uma tensão entre a ação racional e a ação irracional.

Apresente as distinções entre agir por inclinação, agir em conformidade ao dever e agir por dever.

Agir por inclinação, é agir segundo a dependência em que a faculdade de desejar está em face das sensações; a inclinação prova sempre portanto uma necessidade. Já uma ação praticada por dever tem o seu valor moral, não no propósito que com ela se quer atingir, mas na máxima que a determina; não depende portanto da realidade do objeto da ação, mas somente do princípio de querer segundo o qual a ação, abstraindo de todos os objetos da faculdade de desejar, foi praticada. Por fim, agir em conformidade ao dever não é o mesmo que agir contrário ao dever. Entretanto, nessas ações, para cumprir o dever precisamos de razões suplementares. Dessa forma, quando agimos apenas em conformidade ao dever, mais importante do que o cumprimento do dever é o nosso interesse pessoal.

Porque o princípio que rege a vontade é a priori e formal?

Porque não pode ser abstraído de nenhum conhecimento empírico e por conseguinte puramente contingente; que exatamente nesta pureza da sua origem reside a sua dignidade para nos servirem de princípios práticos supremos; que cada vez que lhes acrescentemos qualquer coisa de empírico diminuímos em igual medida a sua pura influência e valor ilimitado das ações; que não só o exige a maior necessidade sob o ponto de vista teórico quando se trata apenas de especulação, mas que é também da maior importância prática tirar da razão pura os seus conceitos e leis, expô-los com pureza e sem mistura, e mesmo determinar o âmbito de todo este conhecimento racional prático mas puro, isto é toda a capacidade da razão pura prática. Este princípio é também formal pois as leis morais devem valer para todo o ser racional em geral, é do conceito universal de um ser racional em geral que se devem deduzir. 

Comente a seguinte ideia: “O indivíduo só é livre quando obedece a lei instituída pela razão”.

Segundo Kant, pelo uso da razão, o homem tem de considerar-se a si mesmo como autor dos seus princípios, independente de influências estranhas; por conseguinte, como razão prática ou como vontade de um ser racional, tem de considerar-se a si mesmo como livre; isto é, a vontade desse ser só pode ser uma vontade própria sob a ideia de liberdade, e, portanto, é preciso atribuir, em sentido prático, uma tal vontade a todos os seres racionais.

Discorra sobre a seguinte frase: “Quanto mais o homem busca o prazer, mais ele se afasta do contentamento”.

Se num ser dotado de razão e vontade a verdadeira finalidade da natureza fosse seu contentamento, muito mal teria ela tomado as suas disposições ao escolher a razão da criatura para executora de suas intenções. Pois, para este fim, o instinto seria mais indicado. Mesmo que a razão fosse atribuída à criatura como um favor, ela só lhe poderia ter servido para entregar a considerações sobre a feliz disposição da natureza, para admirar, alegrar-se com ela e mostrar-se por ela agradecida, mas não para submeter à sua direção fraca a sua faculdade de desejar, achavascando assim a intenção da natureza. A natureza teria evitado que a razão caísse no uso prático.

O que Kant pensa da experiência e do exemplo (imitação) em matéria moral?

Para Kant é absolutamente impossível encontrar na experiência com perfeita certeza um único caso em que a máxima de uma ação, de resto conforme ao dever, se tenha baseado puramente em motivos morais e na representação do dever. Por isso, para ele, não se poderia prestar pior serviço à moralidade do que querer extraí-la de exemplos. Pois cada exemplo que me seja apresentado tem de ser primeiro julgado segundo os princípios da moralidade para se saber se é digno de servir de exemplo original, isto é, de modelo; mas de nenhum modo pode ele dar o supremo conceito dela. A imitação, assim, não tem lugar algum em matéria de moral, e os exemplos servem apenas para encorajar, isto é, põem fora de dúvida a possibilidade daquilo que a lei ordena, tornam intuitivo aquilo que a regra prática exprime de maneira mais geral, mas nunca podem justificar que se ponha de lado o seu verdadeiro original, que reside na razão, e que nos guiemos por exemplos.

Qual o risco, segundo Kant, de fazer uma promessa mentirosa?

Se a intenção é evitar algum mal com essa promessa mentirosa, a confiança uma vez perdida pode ser ainda mais prejudicial que este mal o qual se tenta evitar. Portanto, seria mais prudente agir em conformidade com uma máxima universal e adquirir o costume de não prometer nada senão com a intenção de cumprir a promessa. De modo que mesmo que se queira a mentira, não se pode querer uma lei universal de mentir; pois, segundo tal lei, não poderia propriamente haver já promessa alguma, porque seria inútil afirmar uma vontade relativamente às futuras ações a pessoas que não acreditariam em tal afirmação, ou, se precipitadamente fizessem, pagariam na mesma moeda. Por conseguinte, esta máxima de mentir, uma vez arvorada em lei universal, desfruir-se-ia a si mesma necessariamente.

Comente a seguinte ideia: “devo proceder sempre de maneira que eu possa querer que a minha máxima se torne também uma lei universal”.

Se não é possível preceder desta maneira (de que a máxima se torne lei universal), então devemos rejeitar a máxima que estamos nos baseando; não por causa de qualquer prejuízo que dela pudesse resultar para nós ou para os outros, mas porque ela não pode caber como princípio numa possível legislação universal. A necessidade de nossas ações por puro respeito à lei prática é o que constitui o dever, perante o qual tem de ceder qualquer outro motivo, porque ele é a condição de uma vontade boa em si, cujo valor é superior a tudo.

Qual a diferença entre a capacidade humana de julgar e a capacidade de entendimento”.

A capacidade humana de julgar que se faz a partir da razão, como espontaneidade pura, é superior ao entendimento; porque, embora este seja também espontaneidade e não contenha só, como a sensibilidade, representações que brotam apenas sob a influência das coisas (conseguintemente, quando se é passivo), todavia ele não pode tirar de sua atividade nenhuns outros conceitos, a não ser os que servem unicamente para submeter o regras as representações sensíveis e, desse modo, as reunir numa consciência; e sem este uso da sensibilidade,  ele nada poderia pensar; ao invés, a razão enquanto capacidade de julgamento manifesta naquilo, a que se dá o nome de ideias, uma espontaneidade tão pura, que por essa forma se alça muito acima de tudo quanto a sensibilidade lhe pode subministrar, e manifesta sua principal função, distinguindo um do outro, o mundo sensível do mundo inteligível, e marcando assim ao próprio entendimento os seus limites.

Por que a lei deve valer, de forma necessária e absoluta, para todos os seres racionais?

Um ser racional deve, enquanto inteligência (e, portanto, não por suas faculdades inferiores), considerar-se como pertencente, não ao mundo sensível, mas ao mundo inteligível; tem, por conseguinte, dois pontos de vista, desde os quais pode considerar-se a si próprio e conhecer as leis do exercício de suas faculdades, isto é, de todas as suas ações: de um lado, enquanto pertencente ao mundo sensível, ele está sujeito a leis da natureza (heteronímia); do outro lado, enquanto pertencente ao mundo inteligível, está sujeito a leis independentes da natureza, não empíricas, senão fundadas unicamente na razão.

Em que deve se fundamentar os costumes?

Em suma, na razão pura, que dela derivam os imperativos categóricos, sendo estes formais e portanto universais. Importa que a razão pura prática (a vontade) não se limite a administrar um interesse estranho, mas que manifeste unicamente sua própria autoridade imperativa, como legislação suprema.

O que Kant chama de imperativo e qual a diferença de imperativo hipotético e imperativo categórico?

Quando a ação não é boa senão como meio de obter alguma outra coisa , o imperativo  é hipotético; mas, quando a ação é representada como boa em si, e portanto como necessária numa vontade conforme em si mesma a razão considerada como princípio do querer, então o imperativo é  categórico.  O imperativo hipotético significa, portanto, apenas,  que a ação é boa com relação a um escopo possível ou real.  Pelo contrário, o imperativo categórico, que declara a ação como objetivamente necessária por si mesma, sem relação com algum fim, isto é, sem qualquer outro fim, tem o valor de princípio apoditicamente  prático.  Sendo assim, o imperativo que se refere à escolha dos meios capazes de assegurar nossa felicidade pessoal, isto é, a prescrição da prudência, é sempre hipotético; a ação é ordenada, não de modo absoluto, mas só como meio de alcançar outro escopo. Enfim, há um imperativo que, sem assentar como condição fundamental a obtenção de um escopo, ordena imediatamente este procedimento, tal imperativo é categórico.

Por que a leia moral traz consigo o conceito de uma necessidade incondicionada, objetiva e de validade geral?

Sendo o dever uma necessidade prática incondicionada da ação, deve ser válido para todos os seres racionais (os únicos, aos quais se pode aplicar absolutamente um imperativo), e só por isso ele é também uma lei para todas as vontades humanas. Pelo contrário, tudo o que deriva da disposição natural própria da humanidade, de certos sentimentos e de certas tendências, e até mesmo, se fosse possível, tudo o que deriva de uma direção especial, peculiar à razão humana, e não devesse necessariamente valer para a vontade de todo ser racional, tudo isso pode bem fornecer uma máxima para nosso uso, nunca porém uma lei: um princípio subjetivo, que somos talvez levados a seguir por inclinação e tendência, não porém um princípio objetivo, segundo o qual estivéssemos obrigados a agir, mesmo de encontro a todas as tendências, inclinações e disposições de nossa natureza.

Quais as características do imperativo da moralidade?

Primeiramente uma lei prática, a qual o o mandamento incondicional não deixa à vontade a liberdade de escolha relativamente ao contrário do que ordena, só ele tendo portanto em si aquela necessidade que exigimos na lei. Em segundo lugar, ele é uma proposição sintética-prática a priori, e também comporta uma necessidade da máxima que manda conformar-se com esta lei.

Apresente as três formulações do imperativo categórico expostas por Kant na segunda seção de sua obra.

Em primeiro lugar, apresenta uma forma, que consiste na universalidade; no qual caso, a fórmula do imperativo moral é a seguinte: as máximas devem ser escolhidas, como se devessem valer como leis universais da natureza; Em segundo, uma matéria, ou seja, um fim; e eis então o enunciado da fórmula: o ser racional, sendo por sua natureza um, fim, e portanto um fim em si mesmo, deve constituir para toda máxima uma condição, que sirva de limitar todo fim puramente relativo e arbitrário; E por fim, em terceiro, uma determinação completa de todas as máximas por meio desta nova fórmula, a saber: que todas as máximas, oriundas de nossa própria legislação, devem concorrer para um reino possível dos fins como para um reino da natureza.

Porque a moral kantiana é chamada de formalista, subjetivista e universalista?

É formalista pois busca a universalidade da máxima da vontade como lei e, portanto, a autonomia desta faculdade; é subjetivista porque os princípios para aplicabilidade de uma máxima derivam do sujeito, ou seja, do ser pensante e não do objeto; e é universalista pois sua lei comporta certa representação, sem qualquer espécie de consideração pelo efeito que dela se espera, denominada boa absolutamente e sem restrição, que pode ter sua aplicabilidade universal.

Por que a autonomia da vontade é o princípio supremo da moralidade?

Porque a autonomia da vontade é a propriedade que a vontade possui de ser lei para si mesma (independentemente da natureza dos objetos do querer). O princípio da autonomia é pois: escolher sempre de modo tal que as máximas de nossa escolha estejam compreendidas, ao mesmo tempo, como leis universais, no ato de querer.  Mas que o princípio em questão da autonomia seja o único princípio da moralidade, explica-se muito bem por meio de simples análise do conceito de moralidade. Pois, dessa maneira, verifica-.se que o princípio da moralidade deve ser um imperativo categórico, e que este não prescreve nem mais nem menos do que a própria autonomia.

Por que a moral kantiana é chamada de moral da convicção (intenção)?

Para manter na alma um respeito bem fundado da lei, nenhuma outra coisa existe a não ser a convicção clara de que, mesmo quando nunca houvessem sido praticadas ações derivadas de fontes tão puras, o que importa não é saber se este ou aquele ato se verificou mas sim que a razão por si mesma, e independentemente de todos os fenômenos, ordena o que eleve acontecer; e que, consequentemente, ações, de que o mundo até hoje nunca talvez tenha oferecido exemplo, e cuja possibilidade de execução poderia ser posta fortemente em dúvida por aquele mesmo que tudo fundamenta sobre a experiência, são prescritas sem remissão alguma pela razão.

Qual a crítica que Kant endereça ao princípio de heteronomia em matéria de moral?

A crítica se dá porque na heteronomia a vontade não dá a si mesma a lei; é o objeto que lha dá, mercê de sua relação com a vontade. Esta relação, quer se apoie sobre a inclinação quer sobre as representações da razão, não logra possibilitar senão imperativos hipotéticos: devo fazer esta coisa, porque quero alguma outra coisa. Pelo contrário, o imperativo moral, por conseguinte categórico, diz: devo proceder deste ou daquele modo, embora não queira nenhuma outra coisa.

Em sua opinião, qual a importância de Kant para a filosofia moral tradicional?

Kant isolou a filosofia moral de certas “misturas” que se desenvolveram com o decorrer do tempo, desde Aristóteles como representante significativo dessa tendência anterior a qual o nosso autor elabora sua crítica. Nas próprias palavras dele, era necessário uma filosofia moral “não imiscuída de antropologia, nem de teologia, nem de física ou de hiperfísica menos ainda de quaisquer qualidades ocultas (que se poderiam denominar hipofísicas), não sendo apenas o indispensável substrato de toda teoria dos deveres claramente definida, mas sendo igualmente um desiderato da mais alta importância para o cumprimento efetivo de suas prescrições”. E a partir dele, a filosofia moral passou a ser observada sob outra perspectiva.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo, Edições 70, 1948.

Jeimison Macieira
Disciplina: Ética I

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