sábado, 24 de março de 2012

Descartes - Meditações metafísicas


Sobre o procedimento da dúvida (1º meditação), levando em consideração cada um dos três argumentos.

  Descartes inicia sua primeira meditação questionando as falsas opiniões (verdades) que ele havia recebido desde sua tenra idade, ou seja, ele começa sua arguição duvidando de tudo: das afirmações do senso comum, do argumento de autoridade, do testemunho dos sentidos, das informações da consciência, das verdades deduzidas pelo raciocínio, da realidade do mundo exterior e da realidade de seu próprio corpo. Ele afirma que seus princípios, fundados nessas falsas verdades, só podiam ser também, duvidosas, incertas e imprecisas.
   Portanto, Descartes vê a necessidade de se desfazer de tais opiniões, para então, começar novamente seu processo de conhecimento desde a raiz. Aqui ele anuncia a função da dúvida (Dúvida metódica).
  Descartes elabora em suas meditações uma extrema preocupação com o problema do conhecimento. Parte inicialmente, da busca da verdade primeira, a qual não poderá ser posta em dúvida. Encontra esse ponto de partida na segunda meditação (p. 43), a partir da qual, irá erigir todo o seu pensamento, quando admite que “eu sou, eu êxito”, e esse EU de Descartes é, justamente o puro pensamento, um ser pensante (res cogitans), pois a realidade do corpo foi colocada em questão. Fica nítido nessa passagem a preocupação do nosso autor em construir seu raciocínio em torno do sujeito e não do objeto.
   Para construir seu pensamento, Descartes (na primeira meditação) comenta a necessidade de uma aprazível solidão, a qual refere-se ao ócio estudioso, ao lazer, o que resulta em um processo de conversação intelectual.
  A dúvida metódica – engrenagem principal da edificação do pensamento cartesiano – se refere ao momento em que o sujeito se encontra sob o ato intencional e deliberado de desfazer-se de todas as opiniões que até então aceitara, para, desta forma, eatabelecer algo rigoroso nas ciências. Ele parte da dúvida, dividida em três tempos: a dívida dos sentidos, a dúvida do argumento dos sonhos e a dúvida do Deus enganador ou gênio maligno. No primeiro ele duvida daquilo que foi possível ser testemunhado pelos sentidos (mundo sensível); no segundo ele admite que mesmo durante o sono não podemos dizer que apenas falsas ilusões o que sonhamos, pois é necessário admitirmos que aquilo que sonhamos é verdadeiro e existente; no terceiro faz referencia a um Deus enganador, um Deus que possa nos fazer perceber que todas as coisas exteriores (ar, terra, céu, cores, sons, etc.) não passam de ilusões e enganos, ou seja, um gênio maligno que nos coloque numa dada situação possível até de duvidarmos das certezas matemáticas.

Jeimison Macieira
Disciplina: História da filosofia moderna I

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